| Combustíveis |
Este é um dos tópicos que geram muita polemica devido as diferentes teses defendidas e muitas duvidas sobre a qualidade das misturas oferecidas no mercado. Atualmente dispomos de muitos fabricantes locais e estrangeiros fornecendo uma variedade muito grande de combustíveis, mas é preciso observar o aplicativo de cada tipo de mistura de acordo com os elementos usados na sua composição. As perguntas mais freqüentes são as do tipo, que combustível é o melhor, qual a quantidade de óleo ideal na mistura, quanto de nitrometano posso usar e por ai afora. Difícil é responder a todas elas se não levarmos em consideração as variáveis para cada tipo de combustível como taxa de compressão, tipo de pipa, modelo de barco, e muitas outras. Ao longo dos anos houve mudanças importantes na qualidade dos componentes utilizados e no processo de fabricação, embora a fórmula básica continue sendo a mesma. Dos idos onde eu só usava álcool e óleo de rícino aos atuais 60% de nitrometano posso afirmar que muitas questões foram desmistificadas. A começar pelo uso do nitrometano outrora considerado perigoso, instável e explosivo que passou a ser obrigatório nos dias de hoje até mesmo para modelistas iniciantes, sem nenhum risco. Vamos tentar esclarecer as principais duvidas que ocorrem quando do uso deste ou daquele tipo de combustível e veremos que este capitulo se resume a poucos itens: álcool, oleos minerais e vegetais e nitrometano. Misturas clássicas para o modelismo de hoje são formadas por porcentagens distintas de álcool metilico ou metanol, óleo lubrificante e alguns aditivos como antioxidantes. O tipo de óleo utilizado esta relacionada com o tipo de combustível que se quer para uma determinada modalidade de modelismo. Poderá ser de origem vegetal ou mineral ou uma mistura de ambos de acordo com o teor de nitrometano desejado. Quanto mais nitrada for à mistura menos rícino deve utilizar por ser este ultimo muito pouco miscível ao primeiro. Neste caso utilizaremos uma combinação de óleos sintéticos apropriados para tal e um pouco de rícino. O óleo de rícino ou “castor oil” é o verdadeiro componente lubrificante da mistura e o sintético o elemento detergente da mesma. O primeiro passo que devemos dar é saber qual a melhor mistura para a modalidade escolhida. Não devemos utilizar combustíveis de aeromodelismo para automodelismo e vice-versa, sob pena de danificarmos o motor. Cada modalidade apresenta um padrão ideal de mistura e suas variações serão descritas a seguir. Vamos comentar as misturas que podem ser usadas em nautimodelismo e mostrar as suas diferenças. Em nautimodelismo podemos distinguir o combustível de uso esportivo do de competição. Motores de qualquer marca e modelo usado para a pratica esportiva não necessitam de misturas muito possantes ou nitradas. Misturas com até 30% de nitrometano podem ser utilizadas sem problema algum, desde que sejam observadas algumas regras: -Verificar no manual do fabricante o combustível recomendado. -Verificar o numero de anéis usados no cabeçote. Varia de acordo com o teor de nitro. -Determinar a chamada “head clearance”* relacionada à taxa de compressão. -Qual o tipo de casco está sendo usado: monocasco ou multicasco -O peso final do modelo. -O tipo de escapamento: aberto ou silencioso. *A head clearance representa a distancia entre o topo do pistão no seu ponto mais superior de curso ou Top Dead center (TDC) e a parte mais inferior do cabeçote (onde esta a vela),ou head button, ou simplesmente head. Esta distancia determinada por convenção internacional é de 0,35 milimetros e permite o uso de misturas com até 30% de nitrometano em qualquer motor dois tempos. É bom lembrar que o set de agulha ou carburação são determinantes para o bom funcionamento do motor. Neste caso recomendo combustíveis feitos com uma mistura de óleo sintético (70-80%) e óleo de rícino (30-20%) numa porcentagem final de 20% de óleo. A presença ou não de nitrometano muitas vezes em nada corrobora com o bom ou mal funcionamento do motor. Existem motores projetados para taxas de no máximo 10% de nitro com excelentes desempenhos. É claro que a presença de nitrometano fornece uma mistura mais potente mas que também pode trazer prejuízos se usada indevidamente. Testes de dinamômetro feitos com combustíveis com 10% até 60% de nitrometano mostraram um acréscimo de apenas 500 rpms no giro final, mas a curva de torque cresceu em até 40% mostrando a principal característica “comburente” do nitrometano. É preciso que se diga que o nitrometano tem baixo poder de ignição e que o seu uso em determinadas condições inviabiliza o funcionamento do motor. Em dia muito frio, motores acostumados a queimar misturas com 60% de nitro, apresentaram mesmos rendimentos com 40%. A liberação de oxigênio nascente (O3) durante a sua queima, faz do nitrometano o turbo da mistura e se o motor não estiver corretamente regulado para tal, acaba sendo literalmente destruído. Costuma-se dizer que quanto mais nitro a mistura conter, mais fria deverá ser a vela, mas deveremos observar em que condições estamos usando o modelo. Sabendo-se que o nitrometano tem baixo poder de ignição, muitas vezes é recomendável o uso de velas mais quentes para obter-se uma melhor carburação. A pureza dos componentes empregada é fundamental na qualidade da mistura e funcionamento dos motores. Recomendo misturas comerciais já utilizadas por modelistas experientes, mesmo sendo consideradas caras. No final das contas devemos lembrar que o valor gasto com todo o aparato é muitas vezes superior ao preço de um galão de um bom combustível, portanto nada de economias neste caso! Depois de muitas experimentações chegou-se a um consenso quanto às porcentagens de óleo para cada tipo de motor. Quanto menor o motor menos óleo podemos usar. No caso de nautimodelismo considera-se ideal um teor de 16% de óleo para motores .21.Assim recomenda-se uma mistura de óleos de 80% sintético e 20% rícino. Para motores de .45 o total de óleo sobe para 18% seguindo-se os mesmos padrões e para motores acima de .67 recomenda-se um total de 20% de óleo. Os combustíveis “blended”(sintético/rícino) são os mais recomendados e nenhum problema de desgaste prematuro ou sobreaquecimento tem sido observado durante as minhas revisões periódicas. Motores náuticos são sem duvida os mais privilegiados quanto a temperatura de funcionamento, e daí não ser necessário porcentagens muito altas de óleo nas misturas. Quando falamos de motores preparados para competição, falamos do uso de combustíveis mais nitrados. Misturas com 40, 50, e até 65% são comumente empregadas sem contudo significar que os motores terão vida útil mais curta. É claro que partes moveis como bielas e rolamentos serão substituídos com mais freqüências, mas fazendo-se uma manutenção acurada nada de preocupação. Tive motores que foram usados durante anos sem grandes surpresas em modelos de velocidade e que continuam com bom funcionamento. O manuseio indevido mesmo com baixos teores de nitrometano representa riscos de danos a qualquer motor. Devemos tomar alguns cuidados com as informações fornecidas pelos fabricantes. Mesmo misturas importadas às vezes são de baixa qualidade e devem ser descartadas ao primeiro sinal de mal funcionamento. Se você estiver acostumado a determinado combustível, saberá que ao mudar de marca poderá enfrentar dificuldades de carburação. Algumas mudanças são previsíveis e normais, mas se a sua carburação começar a distoar muito das anteriores é sinal que o produto não condiz com o rotulo, ou perdeu sua validade ou é impróprio para o seu caso. É comum nautimodelistas usarem misturas feitas para aero ou automodelismo, até com bons desempenhos, mas procure um combustível de uso múltiplo ou especifico para barcos. Venho utilizando recentemente um dispositivo chamado de “Flow Meter” que determina a abertura da agulha de alta, sem a necessidade de se ligar o motor, e que considera como variáveis as condições atmosféricas (pressão e temperatura de momento). Mas se a regulagem for feita em São Paulo e eu for para Salto aonde venho praticando estou sujeito a pequenas mudanças. De combustível para combustível também se nota mudanças importantes de carburação (costumo usar este aparelho para ver as diferenças de agulha e definir um padrão de abertura), portanto procure usar um bom combustível e transforma-lo no seu padrão assim você vai evitar estes problemas. Costumo fazer os meus combustíveis usando componentes importados com sucesso, mas a custos muito mais altos. A vantagem de produzir seu próprio combustível garante a qualidade final, além de termos sempre uma mistura fresca. Foi determinado (nos EUA) que misturas com até 40% de nitro são para uso esportivo. Acima destes valores, estão os combustíveis para competição. Se levarmos em consideração que na Europa os usos em campeonatos oficiais esta limitado a menos de 30% de nitro, podemos concluir que não existe um regulamento que limite o teor de nitro, mas um acordo geral para tal decisão. Hoje o uso de nitrometano está liberado e contam com um numero cada vez maior de adeptos que descobrem os benefícios de seu uso desmistificando alguns temores. Motores rodados com misturas nitradas devem sempre ser lavados depois de usados com soluções de óleos de manutenção a fim de neutralizar os efeitos corrosivos do nitro. Uma solução muito usada, é a mistura de benzina retificada com 5% de óleo “after run”. Este óleo pode ser um óleo fino, óleos usados em caixas de cambio e hidramáticos ou umas misturas dos mesmos de acordo com a vontade de cada um. O importante é retirar o remanescente de álcool e nitro que fica no motor e lubrificar todas as suas partes internas afim de protege-las de oxidações. Caso aja interesse em fabricar o seu próprio combustível é importante atentar para o seguinte: Os componentes devem apresentar altos teores de pureza. No caso do álcool, ausência de água e do óleo de rícino de sacarose. A sacarose presente em óleos deste tipo é a responsável pela carbonização que acarreta a diminuição das trocas de calor além da obstrução de algumas passagens dentro do motor. Pistões com coloração negra no seu topo indicam presença de altos teores de óleo vegetal na mistura ou sacarose. Verifique se o fabricante utiliza óleos vegetais degomados (sem amido) e filtrados. Uma dica interessante para testar a procedência e qualidade de um combustível é o teste de evaporação, que mostrara para cada amostra separada a % de óleo e o teste do descanso que mostrara a presença de depósitos no fundo do galão (apesar de ser muito demorado). Outro teste importante é verificar o estado do cabeçote depois de uma sessão de lago: se estiver dourado (ligeiramente marrom) está bom, mas se estiver escuro indica muito óleo ou óleo de baixa qualidade. Misturas muito ricas em óleo vegetal também costumam escurecer os filamentos das velas. Hoje dispomos de empresas nacionais que fabricam diferentes tipos de misturas e tenho visto muitos colegas usando estes combustíveis com bons desempenhos. A experimentação tem mostrado que algumas marcas já consolidaram o mercado nacional e espero que outras possam nos fornecer um combustível de boa qualidade gerando uma maior oferta de mercado. Lembrem-se que o custo beneficio de uma atividade deve ser avaliada não somente pela sua economia mas pela sua qualidade. Boa sorte! Por: GILL ROLAND SONSINO |