Pintura para seu modelo

É muito comum me perguntarem que tipo de pintura eu utilizo em meus modelos, já que os mesmos estão sempre com aspecto de novos, mesmo depois de alguns anos de uso intensivo. 

Entre as inúmeras tentativas de erros e acertos, descobre-se que a pintura é um processo relativamente autodidático e inerente a cada um de nós. 

Existem procedimentos técnicos sim, mas não uma técnica absoluta e definida, portanto basta começar a pintar e descobrir a magia desta arte.

Procure se informar sobre os equipamentos mais apropriados às suas necessidades, para poder começar corretamente. 

Basicamente precisamos dividir os modelos de acordo com o material de que foram construídos: madeira (compensado ou balsa), fibra de vidro (poliéster, epóxi ou carbono) e plásticos (do tipo abs), pois para cada substrato teremos um procedimento de pintura diferente e disto depende o sucesso do seu trabalho. Se você for principiante, procure o caminho da simplicidade. 

Muitos modelos são maravilhosamente pintados e decorados, mas por profissionais competentes.  Inicialmente faça testes em pedaços de madeira ou fórmica branca, para aprender a manusear o aerógrafo ou pistola e definir as cores que serão utilizadas, de preferência duas ou três. 

Certifique-se como utilizar os produtos, isto é, as tintas bases, catalisadores, thinners, retardadores, desengraxantes, suas proporções e diluições de forma correta (isto é muito importante). 

Prestando atenção aos movimentos da pistola ou aerógrafo, teremos diferentes tipos de texturas, além do brilho ideal da superfície que facilitará o polimento. 

Portanto o melhor a fazer, é não complicar e entender que este é um aprendizado que leva algum tempo.Durante muito tempo, pintei meus modelos com aquelas bombas manuais utilizadas para inseticida, e posso dizer que os resultados eram até razoáveis para o investimento. 

Uma vez confiante que a "arte" pode dar certo, aventure-se a decorar o seu modelo, mas sem se preocupar com o resultado final: o importante é pintar o modelo e protegê-lo da água e combustíveis. 

O requinte e qualidade do serviço virão com o tempo! No caso de utilizar mais de uma cor, será preciso utilizar as chamadas fitas separadoras (crepe ou vinil), ou filetadas além de ter de fazer suas próprias máscaras (isolamentos) com papel manteiga.

Este tipo de papel é muito utilizado por não absorver a tinta, e proteger o campo de pintura, sem risco de termos manchas por debaixo do mesmo. 

Nunca utilize jornal, pois além de não ser isolante, irá manchar com a própria tinta o local onde ele se localizar. 

Outro tópico muito importante em pintura é a maneira que limpamos as superfícies antes de cada etapa, com os desengraxantes. 

Mantenha suas mãos sempre limpas e de preferência isentas de gordura (suor ou outra fonte) e procure tocar o menos possível no modelo para evitar a contaminação ou por gordura ou ácidos corporais que poderão interferir na aderência dos materiais. 

Utilize papel toalha embebido de desengraxante para limpar o modelo e em seguida aplique ar para retirar possíveis fibras que tenham ficado retidas durante esta fase. 

A partir daí estamos prontos para iniciar a pintura! Modelos de fibra no meu entender são os mais fáceis de serem manuseados, já que a maioria apresenta uma cobertura de gel (gel coat) que facilita muito o acabamento. 

Nestes casos deveremos lixar toda a superfície a ser pintada com lixas dágua de grana fina, como 400 ou 600. Observe para não deixar nenhuma área brilhante pois a aderência ficará prejudicada, além de não ter removido por completo a cera que os fabricantes utilizam para o polimento. 

Nas áreas de difícil acesso, uma dica é utilizar palha de aço com água e detergente até ficar opaco. Limpe muito bem toda a superfície e utilize desengraxante para finalizar. 

A cada etapa da pintura recomendo o uso do desengraxante pois estamos sempre manuseando o modelo com as mãos que podem estar contaminadas com materiais graxos. Feito isto, damos um fundo ou primer, que será o elo de aderência entre o casco e a tinta. 

Nesta fase é hora de observarmos com precisão as imperfeições do casco, como pequenos riscos e orifícios ou até leves depressões. 

Normalmente utilizamos massas apropriadas para isto, como a conhecida massa rápida, se os defeitos forem pequenos ou a massa plástica se as extensões forem maiores. 

Existem inúmeros produtos importados para esta finalidade, mas entendo que os nacionais citados funcionam muito bem. 

No caso de utilizarmos tintas acrílicas, aplicam um fundo universal ou acrílico. Se formos utilizar tintas poliuretanicas, o fundo deverá ser poliuretanico ou "P.U.". No caso de tintas do tipo epóxi, o fundo será epóxi. Tanto o poliuretano como o epóxi são tintas do tipo bi-componentes, ou seja, devem ser misturadas com um tipo de catalisador. 

Por se tratar de tintas reagentes (reagem quimicamente), não dizemos que a tinta está seca e sim curada. Apenas as bases acrílicas, nitrocelulósicas e de poliéster tem secagem ao ar e não dependem de catalisadores. 

Aplicadas as cores desejadas, é interessante a aplicação de um verniz para conferir maior durabilidade a pintura, já que os combustíveis atualmente utilizados contém teores altos de nitrometano, que atacam a mesma. 

O verniz em princípio, será da mesma base da tinta utilizada. É possível utilizarmos uma pintura poliuretanica e finalizarmos com verniz epóxi e vice versa, já que estes produtos são compatíveis em resistência e aderência. 

No caso de tinta acrílica, deveremos cobrir com verniz bi-componente, pois as bases acrílicas são vulneráveis ao combustível. 

Entretanto vernizes bi componentes não apresentam boa aderência sobre acrílico, e deverá ser feito um lixamento grosso (320 ou 360) sobre a base para haver aderência mecânica capaz de dar durabilidade a pintura. 

Pessoalmente não gosto do acrílico pela sua baixa resistência e dificuldade de aderência aos vernizes bi-componentes. Uma outra possibilidade é a base poliéster seguida de verniz bi-componente que também dá bons resultados. Informe-se junto as lojas especializadas quais os melhores produtos para sua finalidade. 

Modelos de madeira precisam de uma atenção muito maior, pela menor resistência do material a água e combustíveis, além da sua porosidade. 

Terminada a montagem, preferencialmente, devemos utilizar produtos à base epóxi (melhor resistência e qualidade) como selador. Eu utilizo a própria cola epóxi diluída (100%) com thinner epóxi, para efetuar o selamento. 

Aplique com um pincel bem macio e de maneira bem homogênea evitando muitas demãos inicialmente, pois a cola em excesso tende a liberar uma reação exotérmica (calor) que pode provocar deformações no modelo. 

Normalmente madeiras do tipo compensado tem seu selamento com três aplicações e as balsas com um pouco mais. Outra opção, são os seladores prontos a base epóxi ou até mesmo os vernizes epóxi que poderão ser utilizados para esta fase. Aplicadas as demãos utilize uma lâmina de raspadeira do tipo "gillete" e raspe todo o modelo tirando o excesso. 

Esta técnica é melhor que o lixamento, pois o epóxi é muito resistente as lixas e o resultado final não será satisfatório. Se quiser depois disto lixar o modelo, utilize lixas a seco do tipo óxido de alumínio (brancas), já que nesta fase ainda não podemos usar água. 

Estando satisfeito com o selamento vamos a pintura. Pessoalmente prefiro as tintas a base epóxi para a madeira por serem superiores as demais e conferirem excelente acabamento. Utilize fundo epóxi, seguido das cores desejadas. Nestes casos o verniz é dispensável, mas fica a critério de cada um a sua aplicação. 

Todos os meus modelos de madeira recebem um fina camada de verniz, pois utilizo mais de uma cor e assim consigo eliminar os degraus formados entre uma cor e outra. 

Podemos também utilizar pintura poliuretanica finalizando com verniz ou poliuretano ou epóxi. As bases epóxi tem-se mostrado muito mais resistentes à ação dos combustíveis nitratos. Modelos plásticos normalmente são pintados com tintas oleosas, do tipo esmalte sintético, por serem mais compatíveis com a base e de ótima aderência neste substrato. 

Neste caso só lixamos o casco com lixa dágua fina (400), e aplicamos a tinta diretamente sobre o mesmo (não é obrigatório o uso de fundo primer). 

Outras técnicas utilizam tintas acrílicas sobre o "abs", mas é preciso muito cuidado, pois afetam (dissolvem) o plástico se houver excesso. Nestes casos será preciso aplicar fundo universal para termos aderência ao casco. Mais uma vez, o verniz aplicado finamente, confere um aspecto mais reluzente e durável a pintura. 

Terminada a pintura, deixe seu modelo curando por aproximadamente uma semana sem manuseio, e faça em seguida o polimento com produtos apropriados, como massas de polir finas e ceras a base de teflon e com pouco teor de abrasivo. 

Ceras liquidas são as mais indicadas, por serem menos abrasivas que as pastas. Eu utilizo algodão hidrófilo para esta etapa. Tenha em mente que o processo de polimento é cumulativo, ou seja, devemos encerar o modelo depois de cada sessão de lago. Aos poucos você estará cristalizando a pintura além de mantê-la sempre protegida. 

Em todas as situações será preciso equipamento apropriado para pintura, como compressor de ar equipado com filtro (para separar a umidade e o óleo do ar), pistolas diversas, aerógrafos e máscara para gases (com carvão ativado) além de óculos protetor. 

Todos estes produtos são extremante nocivos a nossa saúde, e precisam ser manuseados com cautela, seguindo-se as orientações do fabricante. Por se tratar de um processo lento e progressivo, não desanime e subestime suas habilidades. Ao longo dos anos você se tornará auto ditada e dominará esta parte do modelismo.

Por: GILL ROLAND SONSINO